Semana #4 Reduz para metade o lixo que envias para o aterro

Semana #4 Reduz para metade o lixo que envias para o aterro

A elevada produção de resíduos sólidos urbanos indiferenciados, ou seja, o lixo doméstico que não vai para reciclagem, tem crescido de forma muito marcada ao longo das últimas décadas. Só em 2017 foram recolhidas diariamente em Lisboa mais de 600 toneladas de lixo comum. Diariamente!

Deste lixo, estima-se que 40% era material biodegradável que acabou por ser encaminhado, tal como o lixo indiferenciado, para incineração. Outras autarquias estimam valores relativos semelhantes, chegando por vezes o material biológico estimado a ser metade de todo o lixo doméstico produzido. 

O desafio desta semana para reduzir o lixo é COMPOSTAR.

 

Reduzir o lixo: uma meta urgente e um objectivo ao alcance de todos

Portugal tem metas ambiciosas de redução  do encaminhamento de resíduos sólidos para aterro e, se estas passam em parte por aumentar a recolha selectiva e encaminhamento para reciclagem, esta medida não é suficiente. Isto porque a reciclagem contempla apenas uma parte do lixo doméstico produzido e há toda uma área que fica de fora: os resíduos biológicos. É aqui que entra a compostagem.

Depois do esforço de redução de desperdício que todos devemos fazer em nossas casas, por motivos financeiros e ambientais; depois de dar a quem possa reutilizar (como já tivemos oportunidade de escrever aqui), há sempre resíduos que são gerados e que podem não ir para o aterro, mas sim transformados em composto.

 

O potencial das hortas biológicas

Para quem se interessa pela natureza, consumo sustentável, alimentação saudável, e sobretudo para quem gosta de produzir os seus próprios alimentos, ainda que só haja espaço para as aromáticas no cantinho da varanda, as hortas biológicas podem tornar-se um assunto fascinante. Isto porque nos possibilitam uma compreensão da natureza que não está incluída nas hortas a que a maior parte de nós foi habituado.

Se vos pedir para fecharem os olhos e imaginarem uma horta bem produtiva, muitos irão imaginar filas de couves e de alfaces, a zona das cenouras, o canteiro dos tomates, um terreno limpo e bem lavrado e uma mangueira por perto. Se vos pedir agora que imaginem o campo, um bosque ou floresta, certamente que a imagem que surgir não terá plantas arrumadas em fila ou solo lavrado. E, no entanto, o campo, o bosque, a floresta sobrevivem à ausência de intervenção humana. Requere-se então um exercício de humildade: não são as hortas que têm de se comportar como queremos; nós é que temos de olhar para a natureza, perceber como ela funciona e tentar replicar esses ensinamentos nas nossas hortas.

Investigar um pouco sobre hortas biológicas vai mostrar-nos que há plantas que se adoram e que crescem melhor quando estão juntas (como o tomateiro e o manjericão), que há insectos carnívoros que, para além de serem adoráveis, nos tratam das pragas (como a joaninha), que nao há ervas daninhas mas sim ervas silvestres (cada uma com os seus pontos fortes, como a urtiga, que dá um belo fertilizante e também um insecticida natural) e que há flores que não só nos vão dar cor à horta, como também afastam pragas, atraem abelhas e ainda são comestíveis (e com alto valor nutricional!).

Nao é o objectivo deste post ensinar a criar uma horta biológica, mas deixar semente para que queiram ter uma. Assim, deixamos abaixo alguns sítios onde podem ir e aprender com que sabe mesmo muito sorbe o assunto.

 

A compostagem

Compostar os resíduos biológicos produzidos em casa significa valorizá-los, dando-lhe a possibilidade de se tornarem composto riquíssimo do ponto de vista nutricional, que por sua vez vai enriquecer a qualidade nutricional dos alimentos que ingerimos. Significa também que podemos reduzir para metade o lixo que sai das nossas casas e vai para os aterros para ser incinerado. Para metade!

Aprender a compostar e a ter uma horta biológica significa pensar numa série de factores que influenciam o crescimento saudável das plantas que vamos consumir. Quais as plantas que são adaptadas ao clima onde vivo. Quais os insectos que me podem ajudar a lidar com as pragas. Que plantas se ajudam umas às outras no combate às pragas e até no melhoramento mútuo. Na dúvida, pensem no bosque: ninguém o vai lavrar; não é preciso.

 

Está a acontecer em Portugal um esforço sério para reduzir consideravelmente os resíduos sólidos encaminhados para aterro e cabe a cada pessoa perceber como se pode encaixar neste esforço.

Hoje em dia, não é difícil encontrar organizações que fornecem informação, dão formação e apoio a quem quiser começar a fazer compostagem ou horta biológica. A maior parte dos municípios disponibiliza informação nas suas páginas de internet sobre este mesmo assunto, incentivando os cidadãos a valorizar os seus resíduos orgânicos. Depois existem também projectos que vão para além da informação escrita e disponibilizam formação, compostores domésticos ou ajuda online, como é o caso do Lisboa a Compostar, da Horta da Formiga (Lipor, Porto) ou do Re-Planta, no Alentejo.

Há ainda outros lugares na internet cheios de informação útil, relevante e apresentada de forma muito prática e intuitiva como o site Hortas Biológicas e o blog Semear e Plantar.

E se não têm espaço para compostar ou para ter uma horta, porque não procurar hortas comunitárias? Ou sugerir ao município um programa de recolha de resíduos biológicos ao domicílio (já existem projectos piloto em Lisboa e no Porto, mas não na maior parte dos municípios do país) ou até um compostor municipal acessível para todos os cidadãos. Neste assunto, como em todos, podemos esperar que as mudanças aconteçam ou podemos ser motor para que se tornem uma realidade.

 

Enviem as vossas sugestões de projectos que incentivam à compostagem e que ajudam os cidadãos a fazer esta mudança nas suas vidas. Deixem comentários e nós divulgaremos.

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Este artigo faz parte do desafio "52 ideias para fazer menos lixo/desperdiçar menos, mudar o mundo", que é isso mesmo, um desafio. E como este desafio há muitos. Não pretendemos estar a inventar nada, mas também não estamos a copiar ninguém. As ideias aqui sugeridas, e a sua apresentação em 52 semanas, pretendem, isso sim, ser apresentadas como algo acessível e passível de ser feito facilmente por todas as pessoas. Isto porque acreditamos que os caminhos longos, como este de ter uma vida mais sustentável, são mais difíceis de iniciar. Mas, como todos os caminhos, fazem-se com um passo de cada vez.

 

Imgem @lexlux via Twenty20



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