Ou é para sempre ou não cria lixo difícil de eliminar - várias formas de ser sustentável

Ou é para sempre ou não cria lixo difícil de eliminar - várias formas de ser sustentável

Na escolha dos brinquedos, preferir papel, madeira, algodão… ou então brinquedos com tanta qualidade que duram para a vida toda. 

Quando se tem filhos, há várias coisas que fogem ao nosso controlo, por mais que queiramos controlar. E há uma aprendizagem que se faz, que tem a ver com o equilíbrio entre aquilo que nós lhes queremos dar e aquilo que os outros lhes querem/podem dar. Pode parecer que a hierarquia é fácil e que será também fácil dizer qual destas duas coisas é mais importante. Mas não é. E não é, sobretudo, se não quisermos educar os nossos filhos dentro da nossa bolha que, por ser a nossa, não representa o mundo. E, não representando o mundo, a nossa bolha deixa muitas vezes de fora os avós, os tios, os nossos amigos e todas as pessoas que não fizeram ou não fazem as mesmas escolhas que nós fazemos. É importante, então, estabelecer o equilíbrio entre aquilo que achamos perfeito para a nossa vida e para a vida dos nossos filhos com a aceitação da diversidade que há no mundo, a começar na nossa família e amigos.

 

Mas temos sempre as nossas escolhas, os momentos em que a responsabilidade de escolher é nossa. Aí, se queremos brinquedos de baixo impacto ambiental, o ideal será ter em conta critérios que sejam sinónimo de diminuição de pegada de carbono: materiais utilizados, local de fabrico, durabilidade do produto. Os ideais são aqueles que preenchem as três caixinhas. Mas nem sempre isso acontece. Aqui, como em tudo, equilíbrio e compromisso consciente serão as palavras de ordem.

 

Materiais utilizados

Os brinquedos mais sustentáveis serão talvez aqueles que contêm pouco mais do que matérias primas naturais e biodegradáveis, como o algodão, madeira, bambu, fibra de côco, papel. É importante, seja qual for o material, verificar se tem informação sobre a sua exploração, ou seja, se a madeira por exemplo é proveniente de florestas exploradas de forma sustentável (certificado FSC). Também é importante verificar a origem ou qualidade das tintas utilizadas, especialmente no caso de brinquedos para bebés, uma vez que é muito provável que os mordam, estando assim em contacto com todos os componentes utilizados no fabrico do brinquedo.

 

Local de fabrico

Ser feito em Portugal é necessariamente diferente de ser feito no outro lado do mundo. Nada contra o outro lado do mundo, a não ser que é longe e, portanto, torna a pegada de carbono de cada objecto potencialmente gigantesca em comparação com um artigo produzido mais perto do local onde nos encontramos. Nem sempre este custo ambiental está reflectido no preço, o que é problemático, porque não estamos a dar às coisas o seu verdadeiro valor (a este propósito, já escrevemos aqui noutra ocasião) e sabemos também que o factor preço é muitas vezes decisivo nas escolhas que se fazem. Assim, é importante lembrar que sempre que adquirimos um artigo que foi produzido em Portugal, o seu valor reflecte isso mesmo. Para além disso, sabe-se que “se cada habitante entre os 25 e os 64 anos transferisse 10 euros mensais de consumo de produtos importados para nacionais, a produção nacional cresceria mais 1.190 milhões de euros, o VAB teria um incremento de 429 milhões, seriam gerados mais 19 mil empregos, o que representa 210 milhões em salários, levando a uma redução das importações de 225 milhões, o que implicaria  um aumento do PIB em 0,3%” Isto põe as coisas em perspectiva, não põe?

 

Durabilidade do brinquedo

Este é um critério que deveria estar sempre presente quando se adquire um artigo. No entanto, nem todas as pessoas dão importância ao tempo que as coisas vão durar, o que está muito relacionado com o baixo preço que muitas vezes pagamos por elas. Mais uma vez, pagar o preço justo faz-nos apreciar o valor das coisas, querer preservá-las e tê-las por perto durante muito tempo. E na categoria dos brinquedos há alguns que, efectivamente, têm uma qualidade impecável e duram muito tempo, estando presentes no sótão dos nossos pais, em perfeitas condições, à espera que os nossos filhos cresçam para brincar com eles. Estou a pensar nos tijolos de construção da LEGO e nos livros que também são presentes para a vida toda.

 

Estamos a entrar naquela altura do ano em que o apelo ao consumo é muito forte e grande parte dele dirigido às crianças. Quando compramos para os nossos, é fácil: respeitamos os nossos critérios. Depois, é importante estar atento às pistas: há sempre avós e tios a perguntar de que é que os meninos precisam ou se lhes podem dar uma notinha para o pai e a mãe comprarem aquilo de que for preciso. Quando nada disto é possível e, na pior das hipóteses, os pequenos recebem brinquedos praticamente descartáveis. Aí é aplicar as regras de quem procura reduzir o seu desperdício: dar (se não quisermos/precisarmos), cuidar, reparar, trocar, vender em segunda mão, reutilizar e, quando nada mais há a fazer, reciclar.

 

Créditos da imagem: Amor'e (instagram.com/amore.natural)

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