Em nome do mínimo desperdício, hoje é à la carte!

Em nome do mínimo desperdício, hoje é à la carte!

"O que é o almoço?", "O que é o jantar?", " O que é que se come?" e outras versões mais ou menos inspiradas são perguntas recorrentes na maior parte das casas. A sua resposta pode originar muitas reacções, mas nem sempre as melhores quando o que se ouve é "restos". Ora bem, a apresentação é importante, quem sabe até tão importante quanto o conteúdo, por isso a proposta de hoje é que se torne o "redon" em algo um pouco mais apetecível: "o jantar de hoje é à la carte!", que é como quem diz "cada um come o que quer como quando vamos ao restaurante". O que quer, dentro do que há, claro.

Aquilo que pode parecer uma medida de pouca importância tem na verdade potencial para ter um grande impacto: em Portugal, "as famílias desperdiçam 324 mil toneladas" de alimentos por ano. Aproveitar sobras de refeições anteriores permite assim:

  • diminuir a quantidade de lixo gerado, uma vez que se valoriza, por via do comer, uma porção de comida que poderia já ter sido descartada;
  • poupa recursos, já que se evita utilizar alimentos frescos que, dessa forma, podem ser consumidos noutra ocasião;
  • ajuda a poupar dinheiro: se fizermos um dia por semana "à la carte", são 52 refeições novas que não confeccionamos ao longo de um ano, o que são boas notícias para as contas lá de casa e também para quem faz o jantar que tem de pensar numa refeição a menos.

Para começar a ter um dia semanal para comer à restaurante, basta a pessoa não se preocupar muito com as pequenas porções que vão sobrando ao longo da semana. Aqui vão algumas ideias:

  • grandes porções de todos os componentes do prato: aqui é fácil, basta aquecer e comer igual
  • grandes porções de apenas um elemento do prato: aquecer e juntar novo acompanhamento
  • restos de carne: fazer render, por exemplo, restos de frango tornam-se "frango à Brás", restos de bifes picam-se e dão recheio de empadão ou croquetes
  • restos de peixe: ser criativo ao nível da patanisca, porque quem disse que toda ela tem de ser de bacalhau? A patanisca tolera restos de diferentes peixes e até apenas legumes (cenoura, batata, batata doce) ralados!
  • legumes variados têm muito potecial: transformam-se facilmente numa quiche, num recheio de pataniscas (lá está!) e, se estivermos a falar de legumes cozidos, numa sopa, puré ou empadão.

Para quem quer levar a coisa para o nível seguinte, o que funciona muito bem com crianças e as põe a comer restos não só sem franzir o nariz como também com entusiasmo, é levar um pouco mais à letra a ideia de comer como no restaurante: sentá-los à mesa, apresentar-lhes a carta e ir aquecer tudo enquanto se entretêm com as bebidas, pão e azeitonas. Em minha casa há sempre um dos elementos da prole que gosta mais de ajudar, faz se empregado de mesa e anota os pedidos. Como tudo o que se faz com crianças, é melhor se as envolvermos e, nesta altura, já ninguém se lembra que afinal estamos apenas a comer restos.

 

Créditos da imagem: @SteveAllenPhoto via Twenty20

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