Afinal plástico é melhor que reutilizável?

Afinal plástico é melhor que reutilizável?

Li há dias um estudo que comparava a pegada de carbono da produção de palhinhas de plástico por comparação com as palhinhas de bambu, vidro e inox. Ao nível da produção, em todos os parâmetros (energia consumida e emissões de dióxido de carbono), a palhinha de plástico ganha a todas as outras. E daí a conclusão lógica: afinal é mais responsável consumir palhinhas de plástico.

O quê??? Depois de tudo o que se ouve falar sobre a redução do consumo de plástico, agora  é melhor usar palhinhas de plástico do que reutilizáveis????? Estou incrédula! O meu mundo desaba!!! Alguém que me tire deste sufoco!!!

STOP. Pára tudo! Pensando bem, é um bocado óbvio. Quer dizer, é óbvio que se gasta menos energia a produzir descartáveis; essa é uma das razões pelas quais eles são bastante mais baratos do que as coisas reutilizáveis. A questão com o plástico não é, no entanto, apenas uma questão de produção: ainda que consumam menos energia e provoquem menos emissões de dióxido de carbono, as palhinhas de plástico ficam aí pelo mundo durante as próximas centenas de anos e este é um dos grandes problemas que o mundo tem para resolver. Se é verdade que precisamos de reduzir as emissões de dióxido de carbono e de utilizar menos combustíveis fósseis (piscadela de olho inversa aos bioplásticos), a parte onde temos de lidar com o lixo que produzimos é igualmente importante. 

O mesmo estudo referia o número de utilizações que uma palhinha reutilizável tinha de ter para compensar o gasto de energia e emissões produzidas. É assim: para compensar utilizar reutilizáveis em vez de descartáveis, temos de utilizar:

  • uma palhinha de inox: 149 vezes
  • uma palhinha de vidro: 45 vezes
  • uma palhinha de bambu: 32 vezes

Talvez 149 vezes pareça muito. Mas vão lá ter um filho e digam-me depois se utilizar uma palhinha a cada 3 dias é muito ou é provável. A palhinha de inox não se degrada, não perde qualidades e, se não ficar esquecida num sítio qualquer, dura para a vida toda. Vai ser usada muito mais do que 149 vezes, certamente. E quanto à de bambu, bastam 32 utilizações para estar equiparada, em termos de produção às de plástico; já no seu fim de vida, uma palhinha de bambu é biodegradável, o que é infinitamente menos problemático que uma palhinha de plástico.

Os problemas não são unidimensionais, são complexos. Por isso, é importante não retirar conclusões aparentemente fáceis e lógicas mas que são, na verdade, falaciosas: neste assunto, como em todos, há múltiplos aspectos a considerar.

Só mais um apontamento, para concluir. E é apenas para ser posto em prática quando é mesmo-mesmo-mesmo imprescindível utilizar uma palhinha descartável (não me estou a lembrar de nenhum, mas que os há, há): o mesmo estudo compara descartáveis de plástico e papel. Conclui que a palhinha de papel gasta menos energia e emite menos CO2. Do outro lado do problema, concordamos que se degrada mais facilmente e não fica por cá a atormentar as gerações futuras, certo? Certo.

Quando nos deparamos com estas questões, há sempre por aqui um momento de reflexão: estamos a fazer as escolhas certas, poderíamos fazer melhor? Sempre que encontramos melhores soluções, mudamos. Para já, estamos tranquilos com as palhinhas em inox e em bambu que temos na Terra Batida.

 

Este é um artigo de opinião. Contém informações que são factuais e baseadas em estudos devidamente referenciados, mas contém também considerações pessoais.

Imagem: @w.putthipong via Twenty20

 
 
 
 
 
 
 
 
 


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