#9 Fazer vaquinhas ou como lidar com o verdadeiro valor das coisas?

#9 Fazer vaquinhas ou como lidar com o verdadeiro valor das coisas?

aqui falámos sobre o preço e o valor e sobre como nem sempre o dois estão alinhados. Para ser justo, para se fazer uma compra justa, é importante que o preço das coisas seja condizente com o valor, que estejamos a pagar efectivamente o esforço de todos os envolvidos no processo, as escolhas de materiais, etc. O que acontece é que, muitas vezes, o preço justo é impeditivo para algumas pessoas. A sugestão festa semana pretende ser uma solução para este problema:

Como fazer escolhas sustentáveis e escolher presentes de qualidade se não tiver possibilidades económicas para isso? Pois bem, fazendo vaquinhas.

Se pensarmos nas crianças, a título de exemplo, é bem possível que muitos dos presentes que se compram não venham a ser os seus preferidos, tanto mais quantas mais forem as prendas que recebem. E é bem possível também que não durem muito tempo: a maior parte dos brinquedos disponíveis nas lojas são feitos em plástico de baixa qualidade e duram no máximo alguns anos, ao fim dos quais se tornam lixo. E tornam-se lixo mais depressa aqueles que tiverem mesmo muito fraca qualidade, frequentemente aqueles que foram muito baratos.

Compreendo a motivação de comprar barato: qualquer pessoa pode comprar e oferecer a sua prenda. Mas isto coloca dois problemas: um é a relação entre o preço que pagamos e o valor que damos às coisas. Facilmente nos descartamos de uma coisa que foi barata, o que quer dizer o mesmo que facilmente criamos lixo sem nos preocuparmos com o que lhe acontece quando já não nos serve. O outro problema tem a ver com a montanha de prendas que as crianças recebem, diminuindo o valor de cada uma com cada embrulho ainda por abrir. Menos prendas, mas de mais qualidade, duram mais e são mais apreciadas. Em geral é assim.

Tenho três filhos. O Natal é a loucura em coisas e papel de embrulho desde que eles nasceram. Há alguns anos, perante a montanha de coisas e papel, combinamos com a família próxima que, no ano seguinte, cada um só ofereceria uma prenda e que oferecer passeios também era uma opção bem-vinda. Tiramos à sorte quem vai oferecer a quem e, assim, cada pessoa só tem de comprar um presente. Pode escolher com calma e gastar um pouco mais num presente com mais qualidade. Ficou melhor agora: há muito menos coisas e menos papel na sala depois de abrir os presentes, há menos mas melhores presentes.

Haverá quem decida não dar presentes de todo.

A verdade é que, se quisermos ter opções mais sustentáveis, elas existem, é só querer e inventar novas formas de fazer as coisas. E o Natal não será mais triste por causa disso.