#7 Se não é para sempre, que seja da cor da terra

#7 Se não é para sempre, que seja da cor da terra

Na escolha dos brinquedos, preferir papel, madeira, algodão… ou então brinquedos com tanta qualidade que duram para a vida toda. Esta é a semana 7 do desafio "52 semanas para mudar o mundo".

Quando se tem filhos, há várias coisas que fogem ao nosso controlo, por mais que queiramos controlar. E há uma aprendizagem que se faz, que tem a ver com o equilíbrio entre aquilo que nós lhes queremos dar e aquilo que os outros lhes querem/podem dar. Pode parecer que a hierarquia é fácil e que será também fácil dizer qual destas duas coisas é mais importante. Mas não é. E não é, sobretudo, se não quisermos educar os nossos filhos dentro da nossa bolha que, por ser a nossa, não representa o mundo. E, não representando o mundo, a nossa bolha deixa muitas vezes de fora os avós, os tios, os nossos amigos e todas as pessoas que não fizeram ou não fazem as mesmas escolhas que nós fazemos. É importante, então, estabelecer o equilíbrio entre aquilo que achamos perfeito para a nossa vida e para a vida dos nossos filhos com a aceitação da diversidade que há no mundo, a começar na nossa família e amigos.

 

Mas temos sempre as nossas escolhas, os momentos em que a responsabilidade de escolher é nossa. Aí, se queremos brinquedos de baixo impacto ambiental, o ideal será ter em conta critérios que sejam sinónimo de diminuição de pegada de carbono: materiais utilizados, local de fabrico, durabilidade do produto. Os ideais são aqueles que preenchem as três caixinhas. Mas nem sempre isso acontece. Aqui, como em tudo, equilíbrio e compromisso consciente serão as palavras de ordem.

 

Materiais utilizados

Os brinquedos mais sustentáveis serão talvez aqueles que contêm pouco mais do que matérias primas naturais e biodegradáveis, como o algodão, madeira, bambu, fibra de côco, papel. É importante, seja qual for o material, verificar se tem informação sobre a sua exploração, ou seja, se a madeira por exemplo é proveniente de florestas exploradas de forma sustentável (certificado FSC). Também é importante verificar a origem ou qualidade das tintas utilizadas, especialmente no caso de brinquedos para bebés, uma vez que é muito provável que os mordam, estando assim em contacto com todos os componentes utilizados no fabrico do brinquedo.

 

Local de fabrico

Ser feito em Portugal é necessariamente diferente de ser feito no outro lado do mundo. Nada contra o outro lado do mundo, a não ser que é longe e, portanto, torna a pegada de carbono de cada objecto potencialmente gigantesca em comparação com um artigo produzido mais perto do local onde nos encontramos. Nem sempre este custo ambiental está reflectido no preço, o que é problemático, porque não estamos a dar às coisas o seu verdadeiro valor (a este propósito, já escrevemos aqui noutra ocasião) e sabemos também que o factor preço é muitas vezes decisivo nas escolhas que se fazem. Assim, é importante lembrar que sempre que adquirimos um artigo que foi produzido em Portugal, o seu valor reflecte isso mesmo. Para além disso, sabe-se que “se cada habitante entre os 25 e os 64 anos transferisse 10 euros mensais de consumo de produtos importados para nacionais, a produção nacional cresceria mais 1.190 milhões de euros, o VAB teria um incremento de 429 milhões, seriam gerados mais 19 mil empregos, o que representa 210 milhões em salários, levando a uma redução das importações de 225 milhões, o que implicaria  um aumento do PIB em 0,3%” Isto põe as coisas em perspectiva, não põe?

 

Durabilidade do brinquedo

Este é um critério que deveria estar sempre presente quando se adquire um artigo. No entanto, nem todas as pessoas dão importância ao tempo que as coisas vão durar, o que está muito relacionado com o baixo preço que muitas vezes pagamos por elas. Mais uma vez, pagar o preço justo faz-nos apreciar o valor das coisas, querer preservá-las e tê-las por perto durante muito tempo. E na categoria dos brinquedos há alguns que, efectivamente, têm uma qualidade impecável e duram muito tempo, estando presentes no sótão dos nossos pais, em perfeitas condições, à espera que os nossos filhos cresçam para brincar com eles. Estou a pensar nos tijolos de construção da LEGO e nos livros que também são presentes para a vida toda.

 

Estamos a entrar naquela altura do ano em que o apelo ao consumo é muito forte e grande parte dele dirigido às crianças. Quando compramos para os nossos, é fácil: respeitamos os nossos critérios. Depois, é importante estar atento às pistas: há sempre avós e tios a perguntar de que é que os meninos precisam ou se lhes podem dar uma notinha para o pai e a mãe comprarem aquilo de que for preciso. Quando nada disto é possível e, na pior das hipóteses, os pequenos recebem brinquedos praticamente descartáveis. Aí é aplicar as regras de quem procura reduzir o seu desperdício: dar (se não quisermos/precisarmos), cuidar, reparar, trocar, vender em segunda mão, reutilizar e, quando nada mais há a fazer, reciclar.

 

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O desafio das 52 ideias para fazer menos lixo/desperdiçar menos, mudar o mundo é isso mesmo, um desafio. E como este desafio há muitos. Não pretendemos estar a inventar nada, mas também não estamos a copiar ninguém. As ideias aqui sugeridas, e a sua apresentação em 52 semanas, pretendem, isso sim, ser apresentadas como algo acessível e passível de ser feito facilmente por todas as pessoas. Isto porque acreditamos que os caminhos longos, como este de ter uma vida mais sustentável, são mais difíceis de iniciar. Mas, como todos os caminhos, fazem-se com um passo de cada vez.

 

Créditos da imagem: Amor'e (instagram.com/amore.natural)



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