#6 Reduz o desperdício no gesto simples e diário de beber água

#6 Reduz o desperdício no gesto simples e diário de beber água

A qualidade da água em Portugal é, regra geral, boa e cumpre os requisitos de qualidade para consumo humano. Ainda assim, aqui, como em tudo, é importante conhecer a situação próxima, obter informação local sobre a qualidade das águas no sítio onde vivemos. Estas informações estão normalmente disponíveis nos sites das empresas que gerem as águas nas diferentes regiões. Na sugestão desta semana, trazemos um exemplo de incentivo ao consumo de água da torneira. E isto porque é sempre bom encontrar bons exemplos por aí. E divulgá-los.

 

Em Coimbra, a água da torneira é amplamente consumida. É inodora e não tem qualquer sabor, como deve ser com a água. Claro que em Coimbra também se consomem garrafões e garrafas de plástico. No entanto, nesta cidade existe um verdadeiro incentivo ao consumo de água da torneira.

Vivi alguns anos em Coimbra e sempre me lembro da boa fama da água da torneira. Essa ideia foi reforçada há alguns meses, durante a visita a uma feira cultural da cidade. Em lugar de destaque, junto a um edifício pertencente às Águas de Coimbra situado no lindíssimo Parque Manuel de Braga, encontrava-se uma carrinha muito castiça onde era possível encher a nossa garrafa de água. Isso mesmo, uma carrinha, portanto móvel, com um depósito de água da torneira que pode ser muito útil em locais onde não existem as tradicionais bicas. Para além desta, havia também, dentro do edifício minimalista da empresa de águas, um lavatório com… uma torneira. Apenas uma torneira e um dispensador de copos de papel, para os que se esqueceram da garrafa em casa.

Para além de Coimbra, já tive a oportunidade de ver, num aeroporto, um dispensador de água com um curioso contador de desperdício evitado, ou seja, consoante a quantidade de água dispensada, calculava quantas garrafas de água de plástico já tinham deixado de ser consumidas só por causa daquele dispensador. Claro que medidas deste tipo podem sempre parecer cosméticas: qual é, afinal, o problema da simples e básica torneira? Nenhum, a não ser que, muitas vezes, não há uma por perto e é importante haver alternativas.

 

Abaixo ficam algumas sugestões para recorrer cada vez mesmo às garrafas de plástico quando se sai de casa.

 

Utilizar a garrafa da polpa de tomate

Este é um clássico para os peritos em reduzir o desperdício: das raras vezes que se compra tomate em polpa, comprar em garrafa de vidro e reutilizar a garrafa até não se poder mais. O vidro é uma óptima solução, uma vez que não retém cheiros, é fácil de lavar e infinitamente reciclável. Tem apenas duas desvantagens: como não são garrafas pensadas para uma utilização prolongada, o vidro não é particularmente resistente e pode facilmente danificar-se, especialmente na zona da tampa (que, por norma, é de rosca); para além disso, o facto de ser de vidro coloca de lado a possibilidade de poder ser utilizada por crianças, por uma questão de segurança.

 

Filtrar a água

Esta solução pode ser útil em locais onde a água, apesar de passar todos os testes e análises, apresenta algum sabor ou mesmo odor. Utilizar filtros de água pode ser uma solução para tratar os odores da água, mas estes não transformam água não potável em água potável. Nesta questão, a DECO  informa mesmo que os filtros que existem no mercado são inúteis quando se trata de água da rede pública, concluindo que “"em 13 casas que visitámos, apenas 1 precisava realmente de um filtro de água, por ser abastecida por um furo", ou seja, o efeito dos filtros encontra-se na experiência de beber água e no sabor (ou ausência dele) e não na qualidade química da água.

 

Levar sempre uma garrafa reutilizável

Comprar uma garrafa reutilizável de boa qualidade, isto é, feita de forma responsável e com materiais de confiança, pode revelar-se um compromisso, devido aos valores a que as mesmas se encontram no mercado. No entanto, como sempre que se investe em objectos que nos vão ajudar a reduzir o consumo e o lixo que geramos, é importante pensar no que nos leva a não utilizar descartável (onde entram argumentos como a quantidade insana de plástico de utilização única que não é reciclado e acaba na natureza: ler alguns factos aqui) e depois pensar também na qualidade do que vamos adquirir. A este propósito, escrevemos já noutra ocasião aqui no blog. Assim, serão de privilegiar, na minha opinião, as garrafas de vidro resistente e as garrafas de inox. Existem várias possibilidades de tamanho e cor, tipos de tampa, térmicas e não térmicas, etc. O importante é cada pessoa comprar em consciência do uso que lhe vai dar.

 

E, finalmente, apenas mais uma consideração que, não tendo directamente a ver com a redução de desperdício, acaba por ser muitas vezes um “efeito colateral” de recorrer aos reutilizáveis: a compensação financeira a médio/longo prazo. Como uma imagem vale mais do que mil palavras, deixamos aqui a imagem que a DECO publicou no estudo acima referido. Trata do custo da água para beber se for consumida nos diferentes formatos: torneira, garrafão, filtro de jarro e filtro de torneira.

Custo anual da Água, segundo a DECO Proteste

Créditos da Imagem: DECO Proteste, 20 de Julho de 2015, disponível neste link.

 

Até para a semana!

***

Este artigo faz parte do desafio "52 ideias para fazer menos lixo/desperdiçar menos, mudar o mundo", que é isso mesmo, um desafio. E como este desafio há muitos. Não pretendemos estar a inventar nada, mas também não estamos a copiar ninguém. As ideias aqui sugeridas, e a sua apresentação em 52 semanas, pretendem, isso sim, ser apresentadas como algo acessível e passível de ser feito facilmente por todas as pessoas. Isto porque acreditamos que os caminhos longos, como este de ter uma vida mais sustentável, são mais difíceis de iniciar. Mas, como todos os caminhos, fazem-se com um passo de cada vez.

 

Produtos Relacionados