#17 tudo menos um saco descartável!

#17 tudo menos um saco descartável!

As taxas não costumam ter boa fama, mas às vezes há poucas formas mais eficazes de alterar comportamentos. Em 2016, um ano depois do início da obrigatoriedade de se pagar os chamados sacos de plástico leves, aqueles que se costumavam encontrar nas caixas de supermercado e que se traziam para casa gratuitamente, a redução do consumo de sacos foi de cerca de 98, o que significa que "cada português usou 9 sacos de plástico leves em 2015, menos 457 do que a média habitual" dos anos anteriores. Esta mudança incrível diz-nos uma coisa tão simples como esta: há vida depois dos sacos de plástico. Claro que surgiram alternativas a estes sacos, algumas também de plástico (não descartável), mas a verdade é que deixou de ser banal trazer muitos sacos para casa e que, hoje em dia, levar um saco consigo quando se vai às compras é um gesto cada vez mais comum. 

Incentivar a não utilizar sacos descartáveis não é necessariamente o mesmo que incentivar a comprar sacos reutilizáveis. Claro que essa é uma das opções, mas há outras:

  • levar as coisas nas mãos (quando são poucas) ou à solta dentro dos cestos. Na caixa, organizar as frutas e legumes para poderem ser pesados juntos e depois guardar no saco que se levou de casa.
  • vasculhar nas gavetas lá de casa (na de casa dos pais até costuma ter melhores resultados) à procura de sacos de pano que sirvam para o que queremos. Antigamente, utilizava-se apenas sacos reutilizáveis e, como a maior parte das pessoas (mulheres sobretudo) tinha boas competências de costura, era frequente fazerem muitos sacos de pano que, com o advento do plástico descartável, foram literalmente deixados na prateleira.
  • fazer os próprios sacos, utilizando bocados de pano que facilmente se encontram em lojas de tecidos a preços muito interessantes. Sobretudo se não formos particularmente picuinhas com as cores e padrões, as lojas de tecidos costumam ter cestos com retalhos que são, no fundo, restos de bobines sem medida suficiente para serem vendidos ao preço habitual, pelo que são assim “desbaratados”.
  • investir efectivamente em meia dúzia de sacos reutilizáveis comprados numa loja como a nossa. Aqui a vantagem é claramente que dão menos trabalho. Podem ser um pouco mais dispendiosos, mas é preciso pensar na questão de duas formas: por um lado, é uma compra única, ou seja, não será necessário voltar a comprar outro lote de sacos tão cedo; por outro lado, quando se compra algo é importante que preço e valor sejam equivalentes, isto é, que o preço que pagamos pague efectivamente o investimento que alguém colocou em produzir aquele saco. É por esta razão que, aqui na Terra Batida, quando temos artigos têxteis, procuramos que sejam produzidos de forma ecológica e socialmente justa, o que necessariamente se reflecte no preço. Já escrevemos aqui sobre isto.

 

Ora venham daí mais ideias. Comentem, partilhem, participem e sigam-nos. A mudança faz-se em comunidade ;)

 

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Este artigo faz parte do desafio "52 ideias para fazer menos lixo/desperdiçar menos, mudar o mundo", que é isso mesmo, um desafio. E como este desafio há muitos. Não pretendemos estar a inventar nada, mas também não estamos a copiar ninguém. As ideias aqui sugeridas, e a sua apresentação em 52 semanas, pretendem, isso sim, ser apresentadas como algo acessível e passível de ser feito facilmente por todas as pessoas. Isto porque acreditamos que os caminhos longos, como este de ter uma vida mais sustentável, são mais difíceis de iniciar. Mas, como todos os caminhos, fazem-se com um passo de cada vez.

Créditos da imagem: @MargJohnsonVA via Twenty20

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