#14 Este post vai abrir uma caixa...

#14 Este post vai abrir uma caixa...

Encomendar ou ir buscar comida ao restaurante pode ser um desafio para quem quer reduzir o consumo de descartáveis: seja porque não se planeou nada para o jantar e agora não há como fugir à couvette de alumínio, seja porque o restaurante te olha de lado quando dizes que trouxeste uma caixa. Isto é sobretudo verdade para quem, como eu, é muito tímido e gosta pouco de chamar a atenção seja onde for e o pior que lhe podem fazer é hesitar, perguntar de novo e pôr todos os clientes de olhos postos em nós. Estou convosco! Entendo os obstáculos e, como em tudo, a questão resume-se à escolha que queremos fazer e à decisão de agradar aos desconhecidos do supermercado ou às nossas convicções.

As primeiras vezes em que isto se faz são as mais difíceis, mas acredito que isso seja apenas porque não estamos habituados às perguntas e hesitações e até ao mau jeito de quem não está habituado a pensar nestes assuntos. É frequente o simpático funcionário do restaurante colocar a comida na caixinha e depois, tentando ser ainda mais prestável, colocar a caixinha num saco de plástico. Paciência! Estamos todos a aprender e, da próxima vez, tenho de ser mais específica no meu pedido. Com o tempo, a coisa automatiza-se e deixamos de ter vergonha de pedir exactamente o que queremos.

E se o restaurante é um bom lugar para começar a eliminar os descartáveis da vida, não é o único.

 

Charcutaria:

Praticamente tudo o que se pode trazer da charcutaria se pode colocar numa caixa que trazemos de casa. Isto é, se o supermercado permitir: há uns que deixam sem quaisquer problemas e outros que não (“são ordens que temos”). Mesmo se não tivermos uma caixa de casa, porque nos esquecemos ou fomos às compras sem planear, há normalmente a possibilidade de reduzir a quantidade de embalagem que os artigos trazem, bastando para isso pedir aos funcionários. Pela minha experiência, à parte alguma perplexidade, costumam achar curioso e não levantar grandes problemas.

 

À terceira é de vez!

Primeira vez que, num supermercado local, levei uma caixa para utilizar na charcutaria:

“Pode colocar aqui na caixa, por favor?”

Resultado: depois de muito sorrir e dizer que nunca tinha feito aquilo, colocou na caixa, mas embrulhado primeiro no invólucro habitual.

 

Segunda tentativa:

“Sem o papel, coloque directamente na caixa, por favor.”

Resultado: colocaram dentro da caixa e a caixa dentro de um saco de plástico! 

 

À terceira é de vez?

“Pode colocar na caixa, por favor? E sem saco de plástico!”

Resultado: à terceira foi de vez. Agora, mais coisa menos coisa, mais pedido menos pedido, já vou à charcutaria sem embalagem.

 

Talho

Sim, no talho também é possível comprar com a própria caixa. A experiência inicial pode ser muito parecida à descrita anteriormente com a charcutaria, especialmente se estivermos a falar de um supermercado local e onde ainda poucas pessoas fazem compras desta forma. No entanto, se for uma loja em que esta prática é autorizada pelos poderes superiores, são mais umas quantas embalagens e sacos de plástico que eliminamos da nossa rotina.

 

Peixaria

Sim! E com uma experiência muito melhor do que trazer num saco de plástico. Comprar peixe numa caixa que se trouxe de casa permite, por exemplo, trazer algum gelo também: o peixe chega a casa mais fresco e menos “amassado” do que se fosse transportado num saco de plástico no meio das outras compras.

 

Padaria

Esta é fácil, pelo menos é talvez a mais imediata. Quem não tem em casa ou em casa dos pais sacos de pão feitos pela avó? Pois aprendamos com as avós, que têm muito a ensinar. E quem não tem sacos de pão na herança, pode sempre comprar o seu saco de pão para a vida. Vejam aqui este projecto tão interessante de divulgação do hábito de levar o próprio saco quando se vai a padaria.

 

Todas estas opções se referem a compras em supermercados convencionais, que costumam colocar os desafios maiores. Os percalços descritos acima não acontecem, por exemplo, numa loja a granel. O problema é que, apesar das muitas que têm surgido, há muitas cidades onde ainda não é possível comprar a granel e onde até nas pequenas e “tradicionais” mercearias os artigos vêm pré-embalados em sacos de plástico. Nestas é possível muitas vezes falar directamente com o gerente, que também é o caixa e o gestor de stocks e deixar, como sementes, ideias para reflectir.

 

Qual a vossa experiência de comprar com a própria caixa ou saco? Qual foi o episódio mais caricato que vos aconteceu?

 

***

Este artigo faz parte do desafio "52 ideias para fazer menos lixo/desperdiçar menos, mudar o mundo", que é isso mesmo, um desafio. E como este desafio há muitos. Não pretendemos estar a inventar nada, mas também não estamos a copiar ninguém. As ideias aqui sugeridas, e a sua apresentação em 52 semanas, pretendem, isso sim, ser apresentadas como algo acessível e passível de ser feito facilmente por todas as pessoas. Isto porque acreditamos que os caminhos longos, como este de ter uma vida mais sustentável, são mais difíceis de iniciar. Mas, como todos os caminhos, fazem-se com um passo de cada vez.

 

Créditos da imagem: Klean Kanteen

 

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