#11 Em nome do mínimo desperdício, hoje é à la carte!

#11 Em nome do mínimo desperdício, hoje é à la carte!

"O que é o almoço?", "O que é o jantar?", " O que é que se come?" e outras versões mais ou menos inspiradas são perguntas recorrentes na maior parte das casas. A sua resposta pode originar muitas reacções, mas nem sempre as melhores quando o que se ouve é "restos". Ora bem, a apresentação é importante, quem sabe até tão importante quanto o conteúdo, por isso a proposta de hoje é que se torne o "redon" em algo um pouco mais apetecível: "o jantar de hoje é à la carte!", que é como quem diz "cada um come o que quer como quando vamos ao restaurante". O que quer, dentro do que há, claro.

Aquilo que pode parecer uma medida de pouca importância tem na verdade potencial para ter um grande impacto: em Portugal, "as famílias desperdiçam 324 mil toneladas" de alimentos por ano. Aproveitar sobras de refeições anteriores permite assim:

  • diminuir a quantidade de lixo gerado, uma vez que se valoriza, por via do comer, uma porção de comida que poderia já ter sido descartada;
  • poupa recursos, já que se evita utilizar alimentos frescos que, dessa forma, podem ser consumidos noutra ocasião;
  • ajuda a poupar dinheiro: se fizermos um dia por semana "à la carte", são 52 refeições novas que não confeccionamos ao longo de um ano, o que são boas notícias para as contas lá de casa e também para quem faz o jantar que tem de pensar numa refeição a menos.

Para começar a ter um dia semanal para comer à restaurante, basta a pessoa não se preocupar muito com as pequenas porções que vão sobrando ao longo da semana. Aqui vão algumas ideias:

  • grandes porções de todos os componentes do prato: aqui é fácil, basta aquecer e comer igual
  • grandes porções de apenas um elemento do prato: aquecer e juntar novo acompanhamento
  • restos de carne: fazer render, por exemplo, restos de frango tornam-se "frango à Brás", restos de bifes picam-se e dão recheio de empadão ou croquetes
  • restos de peixe: ser criativo ao nível da patanisca, porque quem disse que toda ela tem de ser de bacalhau? A patanisca tolera restos de diferentes peixes e até apenas legumes (cenoura, batata, batata doce) ralados!
  • legumes variados têm muito potecial: transformam-se facilmente numa quiche, num recheio de pataniscas (lá está!) e, se estivermos a falar de legumes cozidos, numa sopa, puré ou empadão.

Para quem quer levar a coisa para o nível seguinte, o que funciona muito bem com crianças e as põe a comer restos não só sem franzir o nariz como também com entusiasmo, é levar um pouco mais à letra a ideia de comer como no restaurante: sentá-los à mesa, apresentar-lhes a carta e ir aquecer tudo enquanto se entretêm com as bebidas, pão e azeitonas. Em minha casa há sempre um dos elementos da prole que gosta mais de ajudar, faz se empregado de mesa e anota os pedidos. Como tudo o que se faz com crianças, é melhor se as envolvermos e, nesta altura, já ninguém se lembra que afinal estamos apenas a comer restos.

 

***

O desafio das 52 ideias para fazer menos lixo/desperdiçar menos, mudar o mundo é isso mesmo, um desafio. E como este desafio há muitos. Não pretendemos estar a inventar nada, mas também não estamos a copiar ninguém. As ideias aqui sugeridas, e a sua apresentação em 52 semanas, pretendem, isso sim, ser apresentadas como algo acessível e passível de ser feito facilmente por todas as pessoas. Isto porque acreditamos que os caminhos longos, como este de ter uma vida mais sustentável, são mais difíceis de iniciar. Mas, como todos os caminhos, fazem-se com um passo de cada vez.

 

Créditos da imagem: @SteveAllenPhoto via Twenty20

 

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